quarta-feira, 20 de julho de 2022

Segundas-feiras em série

          Nada como uma segunda-feira pra animar nossas vidas, ela chega mansa como quem não quer nada, te oferece um sol lindo, pássaros cantando, o céu está tão azul que chega a doer os olhos de quem se atreve mirar beleza tão rara e de repente BOOOOM!!!! Ela mostra sua verdadeira face, quem realmente é e poderia até ter nome, mas provavelmente algum familiar ficaria aborrecido.

          Como dito acima ela começou bem e é hora de sair de casa, pois todo cidadão que se preze sai de casa cedo, ou está aposentado ou até mesmo morto, então esse texto é relacionado com pessoas vivas, caso você esteja lendo e não esteja vivo, essa leitura não é pra você ok? Seguimos... o dia amanheceu super bem e você vai pro trabalho com seu look descolado e nessa manhã em especial resolveu calçar aquele tênis branco que estava ali esquecido faziam muitos anos, mas é sempre bom rever velhos amigos. O portão se abre e você sai de casa PIIMBAA!! Você pisou na merda de um cachorro, apesar que poderia ser de um mendigo, mas não, melhor imaginarmos que a segunda opção é descartada; com muito custo encontra um pequeno quadrado gramado na expectativa de raspar o tênis ali e aquela situação insustentável aliviar, mas esse é apenas um começo, pois bem no centro daquele quadrado há um ninho de pombas e acredite, esse animal não vive apenas em parapeitos ou correndo no trânsito, ele também voa, faz ninhos e tem família e se alimenta, por sinal super mal, mas vamos continuando, na expectativa de concluir a limpeza extremamente falha do seu tênis, algo liquido escorre por suas costas de uma cor levemente esbranquiçada e la em cima está nossa amiga - PRUU, PRUU, PRUU... nesse instante uma lágrima escorre pela face e a única alternativa viável é pegar uma folha o mais verde possível daquela árvore para uma higienização desesperadora e no relógio a hora corre, por que você saiu de casa as seis e quarenta e cinco da manhã e essas desventuras fizeram a hora correr em quase meia hora já; nesse momento o cérebro pensa (DESESPERO). Enfim, o tênis cagado e a blusa suja mas você conseguiu chegar no seu destino, o trabalho, aquele lugar que torna as segundas-feiras sombrias.

          Você tenta chegar com seu melhor sorriso, com seu melhor bom dia, com sua melhor rou... essa não, esquece hahahaha com seu melhor cabelo, pois lavou de manhã mesmo com um frio de esfriar até os lugares mais quentes, mas chegou. Seu chefe com um mal humor daqueles, os clientes resolveram atormentar juntos como se agissem em quadrilha e você está ali no meio daquele bombardeio esperando a hora do almoço para ter um momento de paz.

          O almoço chegou, você viu no self Service uma Lasanha maravilhosa de molho bolonhesa e é la mesmo o ataque do dia, pronto, a primeira levantada do pedaço o fez escorregar e voar na sua calça jeans, aquela que você escolheu com todo carinho para começar seu dia, lágrimas ameaçam descer, molho escorre e uma alma bendita aparece com um pano de pratos que não vê uma gota d'água desde que o Brasil perdeu Fernando Henrique como presidente, mas foi solícito, isso que importa. Enfim, você almoçou e voltou para o trabalho onde renderam fatos que até Deus duvida, mas que uma segunda-feira não falha, maas o horário de saída chegou e em meio a esse bombardeio você sobreviveu e está pronto para ir embora.

          Na saída você olha pra cima, pra baixo, para os lados e tenta de todas as formas evitar transtornos, até que esbarra em uma lata de lixo e joga o celular no meio fio, onde bateu com a tela perfeitamente no centro do meio fio fazendo uma rachadura do tamanho da Linha do Equador, mas ainda está funcionando. Esse celular foi parcelado em doze vezes e a ultima parcela é amanhã. Com uma fúria deixando até os olhos mais lindos do planeta em chamas, você respira e ponto (Eu preciso chegar em casa).

          Encerrando sua segunda você chega em casa, tênis na lavanderia, calça na máquina, corpo no banho... agora você pode relaxar. Mas não.. o gás acabou, você esqueceu de pagar a conta de luz e a casa parece que mora quatro mil mendigos. 

FIIIIIMMMMM